Os nossos queridos velhinhos que adoramos e não queremos que nos deixem. Mas quando olhamos para eles, aos 85, 90 anos, já sem conseguirem ver, muito surdos, a "leste do paraíso" perdidos no Alzheimer e na demência, já quase sem andar, cheios de dores, incontinentes e sempre a tirar a fralda, já sem paciência sequer para ver TV, a dormir cheios de comprimidos , perguntamos se nós também queremos "chegar lá" e ser assim.
Teremos nós capacidade, consciência e coragem para , a partir da idade em que deixamos de tirar qualquer gosto e sabor da vida, deixarmos de tomar os comprimidos que nos mantêm a tensão baixa, os diabetes baixos e o coração a bater?
Teremos nós coragem para - quando já nos começamos a esquecer do bico do fogão ligado e a usar fralda de forma permanente , proibir que nos deixem de dar os medicamentos para poder "partir" na nossa "hora" sem nos tornarmos um fardo para a família?
Que não conseguimos fazer isso aos nossos queridos velhinhos, não conseguimos (nem queremos pensar nisso). Mas podemos decidir que não queremos chegar lá. Basta deixar de tomar os medicamentos a determinada altura..... Espero ter coragem para decidir deixar de os tomar.
É um assunto complicado.
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