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sábado, 8 de setembro de 2012

Troika falhou "redondamente" o Plano de Recuperação de Portugal reflectido no Memorando.

PARA QUÊ? EM QUE É QUE ESTA AUSTERIDADE TODA SERVE OS INTERESSES DOS PORTUGUESES?

 As medidas anunciadas ontem 7.09.2012, são verdadeiros "impostos camuflados" (mais uns....) no sentido em que obrigam os cidadãos a entregar ao Estado muito mais do seu rendimento disponível.

Não é verdade que Portugal não possa ter Estado Social, Educação ou Saúde Pública. Provalvelmente não a pode ter nos mesmos termos de "exagero" de funcionários nos serviços, mas pode - e deve - tê-los à mesma, exigindo (a sério e com fiscalização) que verdadeiramente se trabalhe e o Estado (ou Emprego Público) não sirva apenas para dar "emprego " , passar o dia ao telefone com amigos ou na internet .

É verdade que Portugal não pode continuar a pagar pensões e reformas acima de €. 1.600,00, muitas vezes cumuladas com pensões de sobrevivência, muitas vezes, de igual valor , durante mais de 25 anos aos reformados.

É verdade que tinha de se "mexer" nas leis do trabalho para "acabar" com situações de exagero, aproveitamento , protecção excessiva e com as disparatadas "portarias de extensão" que ao longo de anos "distorceram" e tornaram artificial o mercado do trabalho.

Mas..... deixe-se o mercado funcionar minimamente, deixe-se as pessoas criarem e desenvolverem actividades económicas. É que, se as pessoas não trabalham (em serviços, em empresas) , não têm  rendimentos. E se não têm  rendimentos não pagam impostos nem consumem. O que significa que não há dinheiro para pagar serviços públicos essenciais como os hospitais, nem se gera trabalho e riqueza em outras actividades.

A Troika falhou "redondamente" o Plano que propôs para Portugal porque não escreveu no Memorando as medidas necessárias para fazer crescer a economia : linhas de crédito bonificado a empresas, períodos de carência nos pagamentos a Estado e Segurança Social, incentivos fiscais em função dos resultados do crescimento anual e da colocação de novos empregados. Projectos de incentivo a actividades nativas próprias portuguesas, onde nossas empresas e empreendimentos seriam incentivados fiscal e financeiramente, como o mar, o sol, o turismo, a produção agrícola em estufas, a protecção (a sério) da floresta e exploração florestal (em vez de ser deixar "arder" ) , o vinho, os serviços tecnologica e cientificamente mais avançados, como nós já provarmos sermos capazes de desenvolver, prémios ao mérito e partilha de conhecimento.

Primeiro, "atou-se braços e pernas" aos empresários exigindo as licenças burocráticas mais inconcebíveis a quem queria ter um negócio, abrir um café ou restaurante, uma creche, uma pequena empresa de transportes, um aviário.....

Depois, "caiu-se" brutalmente , com taxas absurdas de IRC , sobre o rendimento das empresas impedindo-as de reinvestirem , criarem mais emprego, manterem-se actualizadas e modernas e crescerem.

Agora os novos "impostos" sobre o rendimento das pessoas, impedindo o consumo.

SEM CONSUMO NÃO HÁ ECONOMIA, porque não há procura. Fecham as empresas que existem, extinguem-se esses postos de trabalho e não há incentivo a novos investimentos.

Porquê? Para reduzir o défice e para o FMI nos emprestar dinheiro para nós mantermos em funcionamento um Estado pesadíssimo mais 5 ou 6 anos. Sim. Porque depois volta tudo à mesma.

As gorduras do Estado estão essencialmente, na quantidade exagerada de cargos e lugares na administração pública e local, geradas, muitas vezes, por Grupos de Estudo, de Trabalho, Comissões, Direcções de Serviços, fundações, empresas públicas, etc, etc.

Chegada esta fase,  todos já sabemos que o "emagrecimento" das "gorduras" do Estado passa pelo despedimento de funcionários..... pela fixação de um tecto máximo nas pensões de reforma acima dos €. 1.600,00, pela extinção da pensão de sobrevivência....

Sem estas medidas estruturais de fundo, a história economico-financeira de Portugal vai repetir-se indefinidamente em espiral porque nós não temos dinheiro para ter uma Administração Pública tão pesada e temos de a "desconcentrar" para o sector privado, para as pessoas terem os seus próprios negócios e o seu próprio pão em cima da mesa.

PARA QUÊ reduzir o défice à "força" em 3/5 anos, se essa "redução artificial" e forçada vai deixar o país e os portugueses na pobreza durante 20 ou mais anos?

FALHANÇO ABSOLUTO DOS ESTUDOS E PARECERES DA TROIKA. FALHANÇO ABSOLUTO DAS CONTAS DO PS QUE NEGOCIOU O MEMORANDO E DO PSD QUE O APOIOU.

Falta de visão da Troika, PS e PSD.  Falta de competência, falta de preparação de "técnicos" (tenho a maior das dúvidas em tratá-los por técnicos) e falta de sentido de Estado dos partidos que aceitaram o Memorando.

1 comentário:

  1. As novas decisões (igualmente artificiais) do Banco Central Europeu no sentido de "comprar" a dívida dos próprios países da União Europeia, para além de ser absurda (como é que alguém compra alguma coisa que é sua?), deveria ter alterado/"aliviado" a posição de Portugal na relação com a Troika. Mas não o fizeram.... Será que os senhores trikas e o governo não tiveram tempo para adaptar em 2 dias (desde a decisão do BCE) as novas medidas ao propósito de compra pelo BCE da dívida dos países "aflitos" ?

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