Andamos há anos nisto. É a mentalidade portuguesa: inventar
mil e uma formas de “safar” umas coroas, “fugir ao Fisco” e “enganar o Estado”.
É uma mentalidade do tamanho de uma ervilha, mas é a nossa; dos portugueses.
Brandos costumes? Não diria. Trata-se antes de “rabos de
palha” ou “telhados de vidro” que não permitem a denúncia das situações porque
está tudo no mesmo barco!
Pois é. Não há nenhum de nós que não conheça alguém que não
tenha declarado menos uns “cobres” no IRS, ou no IRC, que tenha pago compras e
serviços sem factura, que tenha prestado um ou dois servicitos “por fora”, que
não tenha pago às empregadas da limpeza ou mulher-a-dias sem “descontar” para a
Segurança Social, que não tenha mandado arranjar umas tomadas eléctricas ou
feito uma mudança de móveis sem “papéis”, que faça uns colares e pulseiras que
vende particularmente, ou uns cremes, bolos ou T Shirts pintadas ….. Muitos de nós, conhecemos
“desempregados” /empregados que não declaram o “trabalho” ou as horas actuais que
fazem para não perderem o subsídio de desemprego, pessoas que não se casam, nem
declaram a união de facto, ou fazem os IRSs conjuntos, para não perder benefícios
sociais, subsídios e pensões de sobrevivências (das mulheres falecidas, embora
já vivam com outra pessoa há séculos…. ). A isto soma-se a quantidade de gente
que trabalha a vida inteira sem nunca descontar um tostão para a Segurança
Social em casas particulares, lojas, restaurantes, costura, bares, porteiras, construção
civil, explicações, agricultura….
E…… ninguém lhes leva a mal. É a nossa mentalidade: “Coitados”.
“Ganham tão pouco….”.Pois é: mas têm isenções, bonificações, taxas inferiores
de impostos, casas de renda social e pensões de sobrevivência. E tudo somado é
de uma dimensão “assustadora” para todos nós, contribuintes a sério, que
efectivamente pagamos todos os serviços de saúde que essas pessoas usam, os tribunais, os
transportes, a escola, os serviços públicos de que auferem, os Rendimentos
Sociais de Inserção e as Pensões mínimas de que vêm a usufruir mais tarde. Não
é o Governo quem paga. Somos nós, os que contribuímos com impostos, quem paga.
Agora anda tudo num “ai Jesus!” porque o mundo evoluiu e…
apareceram os computadores (Malditos!!!) e os programas electrónicos na
administração pública e local. Passou a “cruzar-se”
declarações fiscais com declarações para a Segurança Social, declarações
escolares, situação de utentes dos serviços de saúde com outros apoios sociais,
registos prediais e automóveis com as declarações de rendimentos. Surpresa das
surpresas: “descobriu-se” que andava meio mundo a enganar o outro!
Conseguirão os portugueses - que sempre viveram de
expedientes (ou sabem deles), que são peritos no “desenrasca” , omitindo isto e
mostrando aquilo - deixar esta mentalidade da “estrangeirinha” ?
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